Um estudo realizado na bacia do Rio Doce pela empresa Ramboll, feito a pedido da Defensoria Pública do Espírito Santo, aponta que 49% das pessoas atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em novembro de 2015, são mulheres. Mas apesar de constituírem praticamente metade do contingente afetado pelo desastre, elas já manifestaram, em diversas ocasiões, o tratamento diferenciado que recebem dos causadores do desastre nos processos de reparação e compensação dos danos.

A incidência de queixas de tratamento desigual entre homens e mulheres, levou o Grupo Interinstitucional que atua no caso, do qual a Defensoria Pública do ES faz parte, a expedir recomendações e solicitar ampla pesquisa para a coleta de dados objetivos sobre a situação das mulheres na Bacia do Rio Doce. Entre os pontos avaliados estão a renda, saúde e (perda) de emprego. Esta última apresenta índice mais alto entre as mulheres, que antes do desastre mantinha renda informal e após o rompimento tiveram perdas significativas.

O estudo aponta que para as mulheres é mais difícil comprovar a renda perdida após o desastre e há uma percepção maior de injustiça quanto ao reconhecimento e ressarcimento do lucro cessante. Os resultados apurados na pesquisa serão debatidos no próximo dia 12 de março, às 14 horas, na Assembleia Legislativa, com a presença das mulheres mineiras e capixabas atingidas pelo desastre.

A defensora pública e presidente da Associação dos Defensores Públicos, Mariana Sobral, está coordenando o evento. “Além da informação para a sociedade em geral, temos o dever de também fornecer às atingidas informação técnica, clara e acessível. Por isso vamos dar a elas espaço para que tirem dúvidas, abram espaço de fala e exponham seus  testemunhos e sua realidade”, explica.

Exposição

Além de debater e analisar os resultados da pesquisa pela empresa Ramboll, que desenvolve estudos na Bacia do Rio Doce, no próprio dia 12, às 13 horas, haverá o lançamento da exposição fotográfica “Mulheres atingidas: da lama à luta”, dos fotógrafos Isis Medeiros (MG) e Gabriel Lordêllo (ES). A mostra traz registros das mulheres vítimas do desastre e as consequências da lama em suas vidas.

O Grupo Interinstitucional em Defesa do Rio Doce é composto pela Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo, Ministério Público do Espírito Santo, Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal, Ministério Público de Minas Gerais e Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais.

Serviço

Programação especial “Mulheres atingidas pela lama na luta por direitos”

Local: Assembleia Legislativa

13 horas: Lançamento da exposição de fotos “Mulheres Atingidas: da Lama à Luta”, com participação da fotógrafa mineira Isis Medeiros e do fotógrafo capixaba Gabriel Lordêllo.

14 horas: Apresentação, debate e análise coletiva do Estudo de Gênero, da Ramboll, sobre a situação da mulher atingida no processo de reparação e compensação, realizado pela Fundação Renova.

16h30: Construção coletiva das pautas das mulheres atingidas no Espírito Santo.

 

Com informações Ascom MPF/ES