A Faculdade de Direito de Vitória (FDV) convidou a Defensoria Pública para participar da XXI edição do projeto “Direito e Atualidades: debates na academia”, com o tema “Feminicídio”, na última terça-feira (03), no auditório da instituição.

O projeto consiste em rodas de conversa com profissionais especializados, professores e alunos do curso de Direito da instituição, para proporcionar o desenvolvimento de debates acadêmicos sobre temas atuais do Direito.

A professora e coordenadora de Pesquisa, Mestrado e Doutorado da FDV, Elda Coelho de Azevedo Bussinger, conduziu o evento, que contou com personalidades, como o secretário de segurança pública, André de Albuquerque Garcia, o secretário estadual de direitos humanos, Júlio César Pompeu, o vereador e historiador Roberto Martins.

Representando a Defensoria Pública, a Defensora Gabriela Larrosa focou na violência psicológica, na busca de outras formas de combater esse tipo de violência e sobre a introdução da discussão de gênero nas escolas.

“O enfrentamento tem que ser com política pública. Temos que ter centros de referência de atendimento à mulher nos municípios, porque essa mulher vítima de violência psicológica, se não for tratada por uma equipe multidisciplinar, ela pode ser alertada por estar sofrendo uma violência e ter condições de sair dessa violência”, declara Larrosa.

A Defensora ainda sugere um programa de empregabilidade da mulher. “Muitas dessas mulheres sofrem por dependência econômica do homem, sendo dependente” (…). “Existe uma dependência psicológica e a questão da culpabilização da mulher que precisam ser discutidos”, lembra.

O secretário de segurança propôs aos alunos debate e reflexão sobre o elemento psicológico que marca o termo feminicídio, sobre o tratamento como crime de preconceito. “A questão do feminicídio refere-se ao simbolismo. (…) É o crime marcado pela falta de sentimento, pela característica e ideia equivocada de uma supremacia de um gênero superior”.

Júlio Pompeu enfatiza a necessidade de formação de todos os profissionais que lidam com os processos de acolhimento da mulher agredida. “A violência contra a mulher é a forma de discriminação mais antiga da humanidade e mais globalmente difundida”, ressalta.

Por Raquel de Pinho