“A partir do momento em que eu fiz a cirurgia de remoção do câncer, eu já me senti curada. Depois, com a diminuição dos efeitos colaterais da quimioterapia, senti-me cada vez melhor. É possível vencer o câncer! O importante é não desistir”.

Afirma emocionada a Defensora Pública, a Doutora Nádia Muricy Oliveira, diretora administrativa do Núcleo de Atendimento da Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), em Campo Grande, Cariacica. Neste mês, em que se celebra a campanha Outubro Rosa, com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama, prevenção e tratamento, a Doutora Nádia relata que celebra a vida.

Há cerca de três anos, sem nenhum sintoma aparente, ela descobriu dois nódulos no seio esquerdo em um exame de rotina. Sua vida mudou. Sempre tão ativa e independente, agora passou a precisar de apoio constante das duas filhas, da mãe e dos amigos. Entre 2014 e fevereiro do ano passado, foram 20 sessões de quimioterapia, além da remoção do seio esquerdo.

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Dra. Nádia Muricy Oliveira. Foto: Wesley Ribeiro

“Nunca pensei em desistir, mas achei que ia morrer. Até transfusão de sangue eu precisei receber. Passava horas no pronto socorro. Cheguei a falar com minhas filhas: ‘Podem se preparar, não estou bem’. Mas a gente tem que estar preparado para tudo. Na época, perdi amigas que também se tratavam. Foi muito difícil. Porém, eu nunca desisti”, relembra.

Hoje, aos 53 anos de idade, trinta deles atuando como Defensora Pública, condição que lhe permite ajudar o próximo, uma realização pessoal, Nádia afirma que viu sua rotina mudar: alimentação saudável, exames periódicos, prática de atividades físicas e a fé sendo fortalecida cada dia mais.

Após a mastequitomia, Nádia relata que passou por uma cirurgia plástica que permitiu a reconstrução mamária com prótese. “O que me permite levar uma vida normal, inclusive ir a praia que tanto amo sem problema algum”, comemora.

E ela deixa um recado especial: “Sempre é bom falar sobre isso, fazer exames de rotina, preferencialmente, a ultrassonografia, já que a mamografia não é suficiente em alguns casos. Cuidar da saúde nunca é demais. Também agradeço a todos que estiveram ao meu lado, sempre tive uma verdadeira legião de anjos ao meu redor”.

Campanha Outubro Rosa

Diante da importância da prevenção contra o câncer, a Defensoria Pública Estadual ornamentou as fachadas dos principais Núcleos de Atendimento, incluindo a da sede administrativa, com o rosa. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), do ano passado até o final deste ano, 600 mil novos casos de câncer devem surgir no Brasil.

Entre as mulheres, o câncer mais comum é o de mama, respondendo por cerca de 28% dos novos casos a cada ano.

O câncer de mama não tem uma causa única. Diversos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, tais como: idade, fatores endócrinos/história reprodutiva, fatores comportamentais/ambientais e fatores genéticos/hereditários.

A idade, assim como em vários outros tipos de câncer, é um dos principais fatores que aumentam o risco de se desenvolver câncer de mama. O acúmulo de exposições ao longo da vida e as próprias alterações biológicas com o envelhecimento aumentam o risco. Mulheres mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos, são mais propensas a desenvolver a doença, segundo dados do Inca.