ES registra mais de 100 atendimentos para reconhecimento de paternidade durante mutirão Meu Pai Tem Nome

Ação nacional realizada no último sábado (1º) no Espírito Santo promoveu exames de DNA gratuitos em Vitória; iniciativa busca garantir direitos fundamentais e fortalecer vínculos familiares.

A Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo (DPES) realizou, no último sábado (01), mais uma edição da campanha nacional Meu Pai Tem Nome, iniciativa que promove gratuitamente o reconhecimento de paternidade e maternidade, além da realização de exames de DNA para famílias que precisam comprovar o vínculo biológico.

 Ao todo foram realizados 105 atendimentos e 33 exames de DNA, reafirmando o compromisso da Instituição com o direito à identidade, à convivência familiar e ao acesso à cidadania.

A ação reuniu pessoas de diferentes histórias, mas com um objetivo em comum: garantir direitos e fortalecer laços familiares. Além do reconhecimento voluntário de paternidade, a Defensoria Pública também realizou orientações jurídicas, abertura de procedimentos e encaminhamentos para os casos em que há necessidade de investigação de paternidade.

Para a coordenadora da campanha no Espírito Santo, a defensora pública Adriana Peres, cada atendimento representa muito mais do que a emissão de um documento.

“O Meu Pai Tem Nome vai muito além do reconhecimento formal da paternidade. Cada atendimento representa a oportunidade de reconstruir histórias, fortalecer vínculos familiares e garantir direitos fundamentais. O acesso gratuito ao exame de DNA e à orientação jurídica permite que muitas pessoas encontrem uma resposta que aguardavam há anos e possam seguir suas vidas com mais segurança jurídica e dignidade.”

Ela destaca que a campanha também aproxima a Defensoria Pública das famílias que, muitas vezes, desconhecem que podem realizar todo esse procedimento de forma gratuita.

“Nosso objetivo é facilitar o acesso da população à Justiça. Muitas pessoas deixam de buscar esse direito por não terem condições financeiras de custear exames ou processos. A Defensoria Pública oferece esse atendimento gratuitamente durante todo o ano, e o mutirão amplia ainda mais esse alcance.”

A ausência transformada em esperança

Entre os participantes da ação estava Flávio*, de 42 anos. Ao procurar a Defensoria Pública para fazer o reconhecimento voluntário de paternidade, ele carregava consigo uma motivação muito pessoal: evitar que sua possível filha vivenciasse a mesma ausência paterna que marcou sua própria infância.

Criado sem a presença do pai, ele conta que sentiu falta dessa referência durante toda a vida e decidiu buscar o reconhecimento por acreditar que toda criança merece crescer com esse vínculo.

“Eu cresci sem a presença do meu pai e sei a falta que isso faz ao longo da vida. Por isso decidi buscar esse reconhecimento. Se ela realmente for minha filha, quero que tenha a oportunidade de crescer com um pai presente e não passe pela mesma ausência que eu vivi. Filho é sempre uma bênção, independentemente do resultado.”

*Nome fictício para preservação da identidade 

A oportunidade que atravessou o oceano

Outra história que chamou atenção foi a de Carlos Eduardo Oliveira, que mora em Portugal e aproveitou uma viagem ao Brasil para registrar a filha.

Há cerca de 10 anos, ele soube da possibilidade de ser pai de Júlia, de 18 anos. O contato entre os dois foi retomado recentemente e, durante a visita do pai ao Espírito Santo, ela encontrou na internet informações sobre o mutirão promovido pela Defensoria Pública. Os dois não perderam a oportunidade de realizar gratuitamente o exame de DNA e iniciar o processo para o reconhecimento da paternidade.

“Quando descobri a possibilidade de fazer o exame gratuitamente pela Defensoria Pública, aproveitei a oportunidade. Hoje já existe um vínculo entre mim e a minha filha Júlia, mas poder reconhecer oficialmente essa paternidade significa muito para nós dois. Além disso, o atendimento foi excelente e tornou todo esse processo muito mais fácil.”

Exames de DNA gratuitos durante todo o ano

Embora o mutirão tenha concentrado os atendimentos em uma data específica, o serviço de investigação e reconhecimento de paternidade não acontece apenas durante a campanha nacional. A Defensoria Pública do Espírito Santo oferece gratuitamente, ao longo de todo o ano, orientação jurídica, mediação para reconhecimento voluntário e exames de DNA para pessoas que atendem aos critérios de assistência da Instituição.

A DPES atua nas seguintes frentes:

  • Reconhecimento Voluntário: Quando há intenção mútua entre as partes de confirmar e registrar o vínculo.
  • Investigação de Paternidade/Maternidade: Quando não há consenso e é necessária a intervenção jurídica.
  • Reconstrução Genética: Casos em que o suposto pai ou mãe já faleceu, sendo necessária a análise com parentes de primeiro grau.

Como ser atendido:

Caso não haja processo na Justiça (via administrativa/amigável): Se a mãe, o suposto pai e o filho (se maior de idade) estiverem em consenso para realizar o teste de forma amigável, sem processo judicial, basta acionar diretamente o Núcleo de DNA da Defensoria Pública. 

  • Contato do Núcleo de DNA da DPES: (27) 3198-3300 / Whatsapp Institucional: (027) 99619-9625
  • E-mail para dúvidas: dna@defensoria.es.def.br

Caso já exista processo judicial em andamento: Se a ação de investigação de maternidade/paternidade já estiver tramitando na Vara de Família da Justiça Estadual, os agendamentos de exames periciais são organizados e comunicados diretamente em parceria com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

Informação à Imprensa

Comunicação da Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo
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