Proposta inédita quer que bets mostrem o risco de perda antes da aposta

Iniciativa apresentada pelo Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo ao Ministério da Fazenda também prevê alerta para apostas com probabilidade de perda superior a 80%

O Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (Cindec) apresentou ao Ministério da Fazenda uma proposta inédita no país para que sites e aplicativos de apostas, as chamadas bets, informem, de maneira simples e visível, a probabilidade de o usuário perder o dinheiro apostado.

A medida busca garantir mais transparência antes da confirmação da aposta e ampliar a proteção do consumidor e do orçamento das famílias.

Atualmente, as plataformas costumam destacar as chamadas “odds”, que indicam quanto o apostador poderá receber caso acerte o resultado. A proposta é que a chance de perda seja apresentada no mesmo momento e com destaque equivalente, permitindo que o consumidor tenha uma visão mais completa sobre o risco envolvido.

Em um dos exemplos apresentados no documento, uma aposta com possibilidade de retorno equivalente a 17 vezes o valor aplicado deveria vir acompanhada da informação de que há aproximadamente 94% de chance de perda. Dessa forma, antes de prosseguir, o usuário teria acesso não apenas à expectativa de ganho, mas também ao risco real de perder o valor apostado.

O Cindec reúne representantes do Ministério Público  do Espírito Santo (MPES), do Procon/ES, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), da Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) e da Procuradoria-Geral do Estado.

Pela DPES, o documento é assinado pelo defensor público e coordenador de Defesa dos Direitos do Consumidor, Vitor Valdir Ramalho Soares. Já o MPES é representado pelas promotoras de Justiça Sabrina Coelho Machado Fajardo, dirigente do Centro de Apoio Operacional da Defesa dos Direitos do Consumidor (CADC), e Sandra Lengruber da Silva, integrante do Núcleo de Atendimento ao Superendividado (NAS).

Para o defensor público Vitor Valdir a proposta amplia a proteção do consumidor ao garantir que as plataformas de apostas ofereçam informações mais transparentes e assumam maior responsabilidade na relação com os usuários.

“As pessoas mais prejudicadas por esse mercado são justamente aquelas que procuram e precisam da Defensoria Pública. Estamos falando de um problema social que não afeta apenas quem aposta, mas também os familiares, comprometendo o orçamento doméstico e favorecendo situações de superendividamento. Por isso, é fundamental que as empresas assumam mais responsabilidade, adotando medidas de transparência e cumprindo obrigações que garantam publicidade adequada e proteção efetiva aos consumidores.”

Alerta para apostas de alto risco

O Cindec propõe ainda que as plataformas sejam obrigadas a exibir um alerta específico antes da confirmação de apostas cuja probabilidade de perda seja superior a 80%.

A mensagem deverá chamar a atenção do usuário para o elevado risco financeiro da operação e para a importância de preservar o orçamento pessoal e familiar antes de confirmar a aposta.

A proposta prevê, ainda, a proibição de recursos visuais que dificultem a identificação dos riscos, como letras pequenas, cores com pouco contraste ou informações escondidas na tela.

O documento também prevê a adoção de um padrão para o cálculo e a apresentação das probabilidades de perda, de modo a garantir que as informações sejam exibidas de maneira uniforme, clara e compreensível nas diferentes plataformas.

Prevenção ao superendividamento

O documento reconhece como avanço as advertências previstas nas novas regras do Ministério da Fazenda, entre elas as frases “Apostar faz você perder dinheiro” e “Aposta não é investimento”.

O Cindec avalia, entretanto, que é necessário avançar na proteção do consumidor, apresentando não apenas advertências gerais, mas o risco específico relacionado a cada aposta.

A iniciativa pretende reduzir decisões impulsivas e contribuir para a prevenção do superendividamento e do comprometimento da renda das famílias. Ao apresentar de forma objetiva a possibilidade de perda, a proposta busca oferecer ao consumidor informações mais completas para que ele possa avaliar os riscos antes de decidir apostar.

Informação à Imprensa
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